sexta-feira, 11 de setembro de 2009

“Atrás da cofragem” V

Dia do diploma
- Porque é que está ali tanta gente, Catatua? Parece a feira do ano?
- A feira já acabou e não é ao pé da escola?
- Aconteceu ali alguma coisa, não sei o quê.
- Já sei, Pinguim. Hoje é o primeiro dia de aulas. Nem me lembrava.
- Não era eu que ia aturar os professores dentro daqueles caixotes.
- Caixotes?! São salas mais pequenas mas têm ar condicionado! Porque é que não voltas para ver como é?
- Já tinha pensado nisso. Mas ainda não tive coragem. Eu até tinha boas notas…
- Mais uma razão.
- Depois de o meu pai sair ainda andei um ano na escola, mas chumbei por faltas…
- És um piegas, pá. Só por o teu pai sair de casa e arranjar outra mulher ficaste perdido?!
- Eu gostava de saber se fosse contigo! ... Fiquei chateado! E depois? Não tenho o direito?
- Quantos anos tinhas?
- Dez. Nunca tinha chumbado, mas depois…
- Hoje até dão prémios aos melhores alunos. Podias ser um deles.
- Prémios? Se eu voltar a estudar não é para ter prémios!
- Não gostavas de receber um prémio à frente de toda a escola por seres o melhor aluno?
- Não. E não acho nada bem.
- Porquê?
- Isto não é como uma corrida dos 100 metros. Um coxo nunca pode ganhar e não tem culpa.
- Mas quem ganha também não tem culpa.
- Por isso mesmo. Se um aluno tem boas notas já se pode dar por muito contente. Não é já um bom prémio para o esforço?
- E não achas que a escola também gosta de dar um prémio aos melhores alunos?
- Sabes o que diz a minha avó? É só propaganda! E que quem estuda não deve estar à espera de um prémio como o macaco à espera do amendoim.
- O que é que a tua avó percebe disto?
- Mais do que tu pensas. Ela está a par de tudo. Diz que a escola dá prémios a um ou a dois mas deixa os outros todos de lado e que isso não está bem!

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