segunda-feira, 9 de julho de 2012

Pelo direito à educação


Com o objectivo de criar emprego na construção civil e nalgumas indústrias e, alegadamente, dinamizar a economia e aumentar o nível escolar e cultural dos portugueses, o anterior governo decidiu requalificar grande número de escolas, um pouco por todo o país, como nunca se tinha visto até hoje. Em 2009, o edifício da Escola Secundária de Montemor-o-Velho, que tinha cerca de 23 anos de existência, foi totalmente demolido com a força das máquinas. No seu lugar foi construído um novo edifício com um orçamento de alguns milhões de euros. No dia 5 de Outubro de 2010 a escola de Montemor-o-Velho foi umas das cem escolas inauguradas nas comemorações do Centenário da República num ambiente de festa e de alguma vaidade.
Mas a festa acabou depressa. Hoje, com o objectivo de poupar dinheiro, o actual governo está a cortar em tudo o que de mais elementar existe nos Serviços do Estado, que são indispensáveis no quotidiano e que deveriam estar à disposição dos portugueses. A educação é um dos sectores fortemente afectado, o que se traduz na negação e/ou redução de um dos mais importantes direitos: o direito à educação. A gestão danosa das contas públicas, a que temos assistido nos últimos anos, fez com que agora falte o financiamento à educação, hipotecando o futuro. Para que nos serve, agora, uma escola nova, feita com o dinheiro dos nossos impostos, se ficar com as salas vazias e com as portas fechadas? Que é feito da escola para a República? O investimento foi na educação ou só no betão?
O chamado ensino recorrente ou ensino nocturno destinado às pessoas que não tiveram oportunidade de concluir os seus estudos durante o período normal de escolaridade irá desaparecer dos “curricula” escolares em Montemor-o-Velho. Se até agora quem trabalhava e estudava à noite já sentia dificuldades em conciliar os horários de trabalho com as actividades escolares e vencer distâncias entre o trabalho, a casa e a escola, a partir do próximo ano lectivo a situação ficará muito pior, já que no concelho de Montemor-o-Velho, nenhum estabelecimento de ensino irá disponibilizar os cursos de Ciências e tecnologias, Ciências socioeconómicas ou Línguas e humanidades. Por outro lado a escola possui um quadro de professores competentes e habilitados nas disciplinas destes cursos do décimo, décimo primeiro e décimo segundo ano. Muitos destes professores correm o risco de ir para o desemprego por não terem alunos enquanto muitas pessoas do concelho de Montemor-o-Velho sentem necessidade e vontade de continuar os seus estudos sem o poderem fazer. Não podemos admitir que a escola fique encerrada obrigando quem quer estudar a deslocar-se para grandes distâncias.
Apelo, por isso, a todas as pessoas do concelho de Montemor-o-Velho, que queiram estudar à noite, que não fiquem em casa. Se o povo é quem mais ordena, esta é a oportunidade de mostrarmos a nossa força e o nosso poder. Vamos forçar o governo a abrir a escola à noite para os cursos do ensino recorrente por módulos capitalizáveis no 10º, 11º e 12º ano. Não podemos tolerar este apagão cultural que o governo nos quer impor. Muitos governos apostam na ignorância e no analfabetismo para escravizar e sacrificar o povo com austeridade, fechando-lhe os olhos do conhecimento, para que não reaja e não se revolte contra as injustiças. Vamos exigir que a escola abra as portas à noite, que tenha vida e animação para que não se pareça com o espaço de silêncio e de paz dos cemitérios.