sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Atrás da cofragem XXXV

Educação sexual I – A revolta do Catatua

- Anda tudo doido! Estão todos doidos! Isto não pode ser!

- Ó Catatua, tu é que estás mesmo doido! Então, ficaste todo contente quando…
- Que coisa mais sem jeito, Pinguim! Pode lá ser? Ai, se eu pudesse…!
- Estou pasmado! Não sei o que se passa contigo! Que bicho te mordeu?!
- Estou contra! Estou contra! Não concordo de maneira nenhuma!
- Fizeste uma festa quando este governo aprovou a lei! E agora…
- Não vês que estão a brincar com o fogo?! Não pode ser!
- Já não te lembras? Então, tu já não te lembras, Catatua?
- Já não me lembro de quê?!
- Pagaste uma cerveja a toda a gente, no café do Alfredo! Fizeste uma grande festa…!
- Para a minha filha?! Nunca! Estão todos doidos?! Sabem lá o que fazem?!
- Porquê? Onde é que está o mal?
- “Informação aos pais e encarregados de educação: programa de educação sexual” – qual programa, qual quê! Essa agora!
- Todos os professores têm que fazer um plano! Então, tu não sabes, Catatua?
- Um plano? Que façam um plano para eles! Que fiquem lá com o plano!
- Isso é obrigatório! Pensei que tu…
- “Objectivos da educação sexual em meio escolar” – sabes o que é que isto quer dizer, Pinguim? Sabes? Sabes?
- Não! Já não sei nada, Catatua! Não percebo nada, nem de ti nem de ninguém! Estou-me nas tintas!
- Olha aqui, Pinguim: “ Melhorar os relacionamentos afectivo/sexuais!
- Melhorar o quê?
- Os relacionamentos afectivo/sexuais!
- Isso não é o que estás a pensar! Tu estás noutra onda!
- Noutra onda? Estou noutra onda?! Estou! Estou!
- Pára de fumar, Catatua! O tabaco já te está a dar volta ao miolo!
- Melhorar os relacionamentos…! os professores sabem lá se a minha filha tem esses relacionamentos, se precisa deles, se os quer ter…?!
- Não é o que estás a pensar! Estás enganado, Catatua!
- A minha filha? A minha menina?! A minha Daniela?! – Relacionamentos…?!
- Tens que te informar bem, Catatua. Isso de… educação sexual… não é…
- Não é para ser falado na escola… para toda a miudagem… à frente de toda a gente!
- Há certas coisas que tu não sabes, Catatua. Não sabes tudo. Os professores…
- Os professores?! Os pais é que devem dar a educação! Os professores pensam que a minha filha não tem pai nem mãe?!
- Ah! Agora dás-me razão! A minha avó também diz o mesmo!
- “Melhorar os relacionamentos…!
- Já falaste com a tua filha sobre isso? O que é que lhe disseste?
- Isso é com a mãe! Coisas de mulheres. Os homens…
- Nunca lhe disseste nada? Não falas com a tua filha?
- Isso são perguntas que se façam?! Eu? Não falar com a minha filha?
- E então? O que é que lhe dizes?
- Quando posso, ajudo-a fazer os trabalhos de casa, converso com ela, faço-lhe o lanche… e muitas vezes, sou eu que faço o jantar!
- Mas o que é que lhe dizes?
- Olha, faço cá umas torradinhas! Ela adora! Depois falamos…
- Sobre educação sexual? Olha, eu, se eu um dia tiver uma filha, não sei o que lhe hei-de dizer! Não faço ideia nenhuma!
- A minha filha? Pensas que a minha filha é uma coitadinha? Uma triste? Que não tem ninguém? Que anda cheia de aflições…?
- Mas, há tempos, tu eras a favor das aulas de educação sexual, na escola!
- Para a minha filha? Nunca! Nunca! Para quê?
- Então essas aulas são só para as coitadinhas? Para as infelizes?
- Essas infelizes, essas desgraçadas que deitam os filhos na sanita e no lixo, ou os enterram no jardim, essas é que precisam dessa educação!
- Ninguém está livre de vir a ser um infeliz… ou um desgraçado! Cada vez pior!
- A minha filha, não! Eu mato-me a trabalhar todos os dias! E a minha Deolinda…
- A minha avó está sempre a dizer-me: “toma muito cuidado, Filipe! Não sejas um desgraçadinho!
- A minha filha, não! Não quero que lhe falte nada! Mas essa educação…
- E não tem faltado. Já está uma mulher!
- Está no quinto ano e nunca chumbou!
- Não parece ter a idade que tem! Está crescida! Deu, cá, um pulo!
- Está crescida, está.
- Deu nas vistas no atletismo, no dia da criança! Tu viste bem? Ia sempre na frente!
- É muito habilidosa e inteligente! Há-de ser uma doutora!
- Nem parecia ela, toda corada, com os cabelos soltos e aquelas borbulhas…
- O que é que têm as borbulhas, Pinguim?
- Nada! Nada! É próprio da idade… não é?
- É capaz de ser. Chega! A minha filha não tem borbulha nenhuma! Não quero que fales mais da minha filha! Está bem?
- Porquê? Disse alguma coisa de mal? Só disse que nem parecia ela!
- Pronto, acabou! Passa aí o martelo! A chuva amainou, esta cofragem está pronta a encher. Isto tem que ficar bem feito!
- Não estive parado, Catatua! Não precisas de falar comigo dessa maneira!
- Quero que fique aqui um muro em condições!
- Não há dúvida nenhuma! Os engenheiros fizeram aqui uma obra que se pode ver!
- Esta escola! Olha, Pinguim! É um gosto só de olhar para ela! Os alunos não têm desculpa para não estudar!
- Se eles estudassem com o mesmo gosto com que nós trabalhamos, todos teriam um vinte. Mas desconfio que não é bem isso que acontece…





sábado, 20 de novembro de 2010

Atrás da cofragem XXXIV

Percalços
- Estavas tão preocupado! Já sabes o que são vulcões, Pinguim?
- Estás a falar de vulcões ou de mulheres?
- Então, não estavas em pulgas para saber tudo sobre os vulcões, tremores de terra e…?
- Estava, estava, Catatua!
- Aproveita agora! Pergunta aos professores. Estão ali tantos! Olha!
- Agora estou mais preocupado com outras coisas!
- Com outras coisas? Então?! A tua namorada…
- Nada disso! Estou preocupado com isto!
- Com isto? O quê?
- Já viste a asneira que fizemos aqui?
- Que fizemos, não! Eu não tive culpa!
- Eu também não, mas…
- Quem é que fez os esgotos do Bloco C?
- Já viste, ali, aqueles alunos e professores a olhar?
- E depois? Queres que andem com os olhos fechados?
- Todos olham para nós com uma cara!
- Com uma cara?! Com a cara que têm!
- Sabes o que eles estão a pensar, sabes, Catatua?
- Não adivinho… se eu adivinhasse, jogava no euro milhões!
- Eu estou envergonhado.
- Envergonhado? Não sei porquê!
- De estar aqui tão perto destas janelas, a estragar o que já estava feito.
- Tu ralas-te com pouca coisa, Pinguim!
- Sabes o que eles estão a pensar?
- Não, não! Já te disse que não sou bruxo!
- Que só andamos aqui a estragar dinheiro… por isso é que baixam os ordenados…
- Nunca te enganaste? Nunca te esqueceste de nada? Nunca fizeste nada mal feito?
- Já, mas, isto não pode… não devia…
- Lembras-te de teres deixado uma cofragem sem apoios que o pilar ficou mais torto do que um corno!
- Tinha apoios! A terra cedeu, estava muito húmida. Aqui não…
- Se o teu avô comprar um tractor com uma avaria…
- Isso não é a mesma coisa, Catatua!
- Não há muita diferença. Se o tractor estiver dentro da garantia…
- Uma escola é uma coisa muito maior, não se leva à oficina!
- Vêm cá os mecânicos!
- Uma escola nova, já avariada! Pode lá ser?!
- Isso não é nada! Faltavam aí uns tubos para o esgoto. Mais nada!
- Mas já viste tudo o que se estragou para meter os tubos? A relva, a pista de tartan…
- Vais ver, nem se fica a notar!
- Vai ficar aqui um grande remendo no tartan. Vai ficar muito feio!
- Isto está dentro da garantia, Pinguim! Vai ficar tudo novo!
- Sabes uma coisa? Com esta crise, o futuro não…
- Lá estás tu com coisas tristes!
- Vi uma notícia na internet: que o governo não tem dinheiro para pagar…
- Há muitas notícias que não são verdade!
- Que o Estado tem que pagar uma renda a quem fez as escolas.
- Tens tempo para ir à internet? Não tens que ajudar o teu avô a tratar das vacas?
- Não te disse que estou no Curso EFA – Nível Básico!
- E passas o tempo na internet a ver notícias dessas? Que a dívida das escolas é maior do que a das estradas?
- Nas aulas de TIC… quando há internet!
- Quando há internet? A internet não está sempre ligada?
- Não vês que temos aqui uma escola nova… avariada!
- Só precisa de uma pequena afinação! É como um carro novo!
- Mais parece um topo de gama com a bobina queimada… que não funciona!
- Só sabes pôr defeitos!
- E sem dinheiro para a gasolina…
- Dá-me o martelo eléctrico para fazer o encaixe do esgoto…
- Não temos corrente. Não vês as salas de aula sem luz?
- O que é que viste mais na internet, Pinguim?
- Poucas coisas! Não te disse que está sempre a falhar?
- Não procuraste vulcões na internet?
- Eu procurei, mas só me apareceram mulheres!






sábado, 6 de novembro de 2010

Atrás da cofragem XXXIII

Os vulcões
- Não sabes o que é um vulcão, Pinguim?!
- E tu, Catatua, sabes de onde vem tanto fumo e tanta cinza?
- Eu não! Porquê?
- Parece haver muitos fornos de lenha debaixo da terra! Não te parece?
- Fornos? Tu não sabes que a Terra tem muitos segredos?
- Que segredos?
- Há vulcões a deitar lume mas a gente não sabe porquê!
- Onde há fumo há fogo! Se há minas de carvão debaixo da terra, quem é que queimou a lenha, Catatua?
- Talvez as árvores, em certos sítios, fiquem queimadas com o pó e ao fim de muitos anos…
- Queimadas com o pó?!
- O pó e o calor são como o fogo que… olha, não sei explicar…
- Mas debaixo da terra há fogo, mesmo, em chama?
- Em chama? Só se houver ar…
- Ar? Contaram-me que os cientistas já descobriram o Inferno…
- Onde? Tu acreditas nisso?
- Não sei onde é, mas é debaixo da terra!
- E cá, em cima, não há Inferno?
- Mas este deve ser muito grande! Cada vulcão deve ser uma chaminé!
- Isso são histórias da Carochinha!
- Parece-me que quando o diabo atiça o fogo é que os vulcões deitam mais fumo e mais cinza… até fazem tremer a terra!
- O diabo?! Não há lá diabo nenhum!
- Já viste aquela lava a ferver que escorre pelos vales?
- Não lava nada! Vem toda suja!
- Vem suja, negra e encarnada como ferro em brasa!
- Não te disse que a Terra tem muitos segredos!
- A lava parece a gordura dos mortos que salta, com a fervura, quando o inferno está a rebentar pelas costuras!
- Cala-te com isso, Pinguim! Agora só te dá para falar em lava e em vulcões?
- Gostava de saber, Catatua! Gostava de saber…
- Olha! Sabes do que é que eu gosto, mesmo, mesmo? Sabes, Pinguim?!
- De ir à pesca, beber cerveja, fumar e...
- Não! Do que eu gosto mesmo é daqueles vulcões de duas pernas! Estás a ver ou não?! Ah! Ah! Ah!
- Estou a falar a sério, Catatua! Os vulcões são…
- Algumas dão-me cá... alguns vulcões... dão-me cá um calor, tu nem sabes!
- Se rebentasse aqui um vulcão, no meio da escola, Catatua! Tu ficavas todo…
- Há muitos, por aí! Nunca viste nenhum? … e bem lindos! Ah! Ah! Ah!
- Olha, aqui, este betão preto, parece mesmo a parede do inferno! Só falta a cinza e o fumo!
- Aqui não rebenta vulcão nenhum! Numa cantina toda feita em betão?! Nem penses!
- E se rebentasse no castelo de Montemor?!
- O castelo é um belo sítio para ver vulcões! É, é!
- Já viste aquela lava, toda derretida, a escorrer pelas ruas?!
- Quem ficava todo derretido era eu, Pinguim! Aparece lá cada vulcão! Oooohhhh!
- Tu brincas com coisas sérias, mas se caísses numa cratera…
- Tu, agora, andas a sonhar com vulcões?! Podia dar-te para pior!
- A minha irmã tem uma professora de Ciências que passa as aulas a falar de vulcões!
- E depois! Se ela gosta!
- Ó Catatua, a professora explica o que são os vulcões, a sério! Não é desses ou dessas que tu…
- Não me disseste há tempos que te matriculaste e ias às aulas?
- Eu vou às aulas… quando posso, mas…
- Mas o quê? Não tens aula de Ciências?
- O problema é esse, Catatua! Nem de Ciências, nem de Geografia, nem de História…
- Então o que é andas a fazer na escola se não tens aulas?
- Eu estou no curso EFA, nível básico!
- Nesse curso não estudas os vulcões?
- O livro de Ciências da minha irmã tem tudo sobre vulcões mas no curso EFA não há nada.
- O que é que estudas, então?
- Linguagem e Comunicação, Matemática para a Vida…
- Matemática para a Vida? Eu acho bem. A Matemática tem muito interesse para a vida!
- Isso, sei eu! Mas aquilo é uma treta!
- Não gostas de Matemática?
- Mandaram-me fazer um desenho da cantina, indicar o perímetro, a área, um ângulo recto...
- Um ângulo recto tem 90º!
- Isso, toda a gente sabe, Catatua!



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Atrás da cofragem XXXII

Uma escola para a República
- Primeiro disse-me que não vinha, que não vinha e que não vinha!...
- Porquê, Pinguim? Falava tanto da escola... pensei que gostasse de vir!...
- Tive que teimar... teimar...! Tu nem fazes ideia, Catatua!
- A tua avó?!... nem sei o que te diga, Pinguim! Não sei!... Mas ela estava com medo de quê?!
- Sabes?! Ela não atina muito com estas coisas...
- Estas coisas? Que coisas?!
- Cerimónias... bater palmas... gente engravatada...
- A tua avó... a tua avó!... ela não podia deixar a quinta, os tractores, as vacas, o milho... nem só por um bocadinho?!
- Disse que não vinha cá fazer nada!...
- Aqui, ninguém lhe manda fazer nada! Está tudo feito.
- Que só vinha perder tempo!
- Perder tempo? Festa é festa! Não é dia de trabalho!
- Ela também não atina muito com políticos... alguns nem os pode ver!
- O que é que ela tem contra os políticos?! Já lhe fizeram algum mal?!
- Diz que passam a vida a pedir, a pedir, mas nunca dão nada a ninguém!
- O que é que já lhe pediram?
- Impostos, cada vez mais impostos! Trabalho... Votos...
- Impostos?! Há quem pague muito mais e não se queixe...
- A minha avó diz que se não fosse ela...
- Se não fosse ela, o quê?
- Muitos políticos estavam a passar fome...
- A passar fome? Deve estar maluca! Mas quem pensa ela que é? Pensa que é mais do que os outros?
- Diz que não produzem nada! Só gastam! Só dão prejuízo ao país!
- Prejuízo? O trabalho deles é governar!
- Diz que eles só fazem promessas! Só prometem! Prometem... mas cumprir?!...
- Só promotem?! Ai é?! Olha aqui esta escola toda nova! Nova! Novinha!
- Diz que isto só foi dinheiro mal gasto! Isto é um desgoverno! A outra escola servia muito bem!
- Mal gasto?! Dinheiro mal gasto?! Ela já viu alguma escola como esta? E esta cantina?! É um mimo!
- É por isso que estamos todos com a corda na garganta!
- Eu é que estou com um nó na garganta de tanta parvoice da tua avó!
- O que ela diz é que estamos na miséria, na bancarrota!
- Ela sabe lá o que é a bancarrota!
- Diz que temos dívidas de milhões que vão sobrar para os teus netos e bisnetos!
- Mas afinal, ela veio ou não veio à inauguração da escola, no centenário da República?
- Veio, veio! Veio comigo!
- E não gostou?! Não me digas que não gostou desta escola toda moderna!
- Gostou e não gostou!
- Gostou e não gostou? Não percebo nada! Ou gostou ou não gostou!
- Disse que o jardim estava bonito, as janelas...
- Só?
- Quando subiu as escadas assustou-se! Ia-lhe dando um ataque!
- Assustou-se?! Com quê?
- Que estava tudo muito escuro, muito feio e muito triste...
- Muito feio?! Muito feio para ela! Para mim não...
- Diz que a escola é toda negra, negra! Se viesse para cá todos os dias, ficava doente!
- Doente?! Isso já ela está, Pinguim! Toda negra?!... Isso é mentira!
- Diz que é negra como o carvão! E que esta escuridão até lhe mete medo!
- A tua avó, Pinguim... Oh! Tudo lhe mete medo...
- E disse mais! Que é negra como o nosso futuro e o do país! É mesmo um retrato!
- Um retrato, um retrato!... Só as paredes é que lhe meteram medo?
- Perguntou-me se não havia soalhos mais bonitos para uma escola!
- Soalhos? A madeira ganha caruncho! Isso já não se usa!
- Diz que o chão é feio e está todo às ondas!
- Às ondas? Não pode ser! Fui eu que fiz as lajes de betão!... Tudo direitinho!
- Direitinho? E a tela cheia de bolhas de ar!
- Aquilo é o revestimento mais moderno e...
- A minha avó disse que lhe parece mais um tapete de plástico do campismo...
- Um plástico de campismo? A tua avó só sabe pôr defeitos!
- Sabes o que ela me disse ao meu ouvido, Catatua?
- Não foi coisa boa, com certeza!
- É melhor não te dizer, tu não vais gostar...
- Diz, diz, Pinguim! Agora quero saber!
- Que estes acabamentos são...
- São o quê?!
- Que o piso, onde as vacas lá da quinta põem as patas, é mais bem acabado e de melhor qualidade do que o destas salas!
- Eu não acredito, Pinguim! Eu não acredito! E ainda pôs mais defeitos?
- Perguntou-me onde estava a internet!
- Ela nunca viu a internet?
- Já! Mas pensava que aqui era diferente...
- Diferente? Como?
- Porque lhe disseram que os alunos podiam ver a internet nos jardins, nos passeios, nos campos de jogos! Que nem precisavam dos professores para nada!