segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Atrás da cofragem" I

Cerveja fresca

- Ó Catatua, bebia agora uma cerveja fresquinha!

- E o chefe, pá?

- Quero lá saber! Estou com uma sede…

- Bebe água, Pinguim.

- Estou estafado, pá. Estou farto de alombar com estantes, com mesas, com secretárias.

- E não te pagam para isso? O que é que queres?

- Pagar? Ainda não vi nada!

- Ainda agora começaste!

- Sabes a que horas me levantei? Sabes?

- Não é isso, pá.

- Eu sei. Mas estou estafado.

- E eu? Estou aqui desde as oito.

- Eu? Oh! Antes de pegar, tive que tratar do gado todo: palha, ração, água, nem tive tempo para o pequeno-almoço.

- Se tinhas emprego, para que é que vieste? Eu não, pá. Estava desempregado, não me queixo.

- Chamas àquilo emprego? É só uma ajuda que dou à velha… mas ela? Não merece nada!…

- Se não merece, porque que te andas a matar?

- Nem eu sei, pá. Eu ando, cá, muito confuso…

- Livra-te dos animais, arruma isso…

- Sabes o que me faz mais confusão? É que ando eu aqui a carregar cadeiras, mesas e computadores, não é? E muitos recebem o rendimento mínimo e não fazem nada. Se fosse eu, acabava já com isso.

- Se não têm emprego como é que vivem? Roubam?

- Venham também para aqui trabalhar no duro.

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