Com o
objectivo de criar emprego na construção civil e nalgumas indústrias e,
alegadamente, dinamizar a economia e aumentar o nível escolar e cultural dos
portugueses, o anterior governo decidiu requalificar grande número de escolas,
um pouco por todo o país, como nunca se tinha visto até hoje. Em 2009, o
edifício da Escola Secundária de Montemor-o-Velho, que tinha cerca de 23 anos
de existência, foi totalmente demolido com a força das máquinas. No seu lugar
foi construído um novo edifício com um orçamento de alguns milhões de euros. No
dia 5 de Outubro de 2010 a escola de Montemor-o-Velho foi umas das cem escolas
inauguradas nas comemorações do Centenário da República num ambiente de festa e
de alguma vaidade.
Mas a
festa acabou depressa. Hoje, com o objectivo de poupar dinheiro, o actual
governo está a cortar em tudo o que de mais elementar existe nos Serviços do
Estado, que são indispensáveis no quotidiano e que deveriam estar à disposição
dos portugueses. A educação é um dos sectores fortemente afectado, o que se
traduz na negação e/ou redução de um dos mais importantes direitos: o direito à
educação. A gestão danosa das contas públicas, a que temos assistido nos
últimos anos, fez com que agora falte o financiamento à educação, hipotecando o
futuro. Para que nos serve, agora, uma escola nova, feita com o dinheiro dos
nossos impostos, se ficar com as salas vazias e com as portas fechadas? Que é
feito da escola para a República? O investimento foi na educação ou só no
betão?
O
chamado ensino recorrente ou ensino nocturno destinado às pessoas que não
tiveram oportunidade de concluir os seus estudos durante o período normal de
escolaridade irá desaparecer dos “curricula” escolares em Montemor-o-Velho. Se
até agora quem trabalhava e estudava à noite já sentia dificuldades em
conciliar os horários de trabalho com as actividades escolares e vencer
distâncias entre o trabalho, a casa e a escola, a partir do próximo ano lectivo
a situação ficará muito pior, já que no concelho de Montemor-o-Velho, nenhum
estabelecimento de ensino irá disponibilizar os cursos de Ciências e
tecnologias, Ciências socioeconómicas ou Línguas e humanidades. Por outro lado a
escola possui um quadro de professores competentes e habilitados nas
disciplinas destes cursos do décimo, décimo primeiro e décimo segundo ano. Muitos
destes professores correm o risco de ir para o desemprego por não terem alunos enquanto
muitas pessoas do concelho de Montemor-o-Velho sentem necessidade e vontade de
continuar os seus estudos sem o poderem fazer. Não podemos admitir que a escola
fique encerrada obrigando quem quer estudar a deslocar-se para grandes
distâncias.
Apelo,
por isso, a todas as pessoas do concelho de Montemor-o-Velho, que queiram
estudar à noite, que não fiquem em casa. Se o povo é quem mais ordena, esta é a
oportunidade de mostrarmos a nossa força e o nosso poder. Vamos forçar o
governo a abrir a escola à noite para os cursos do ensino recorrente por
módulos capitalizáveis no 10º, 11º e 12º ano. Não podemos tolerar este apagão
cultural que o governo nos quer impor. Muitos governos apostam na ignorância e
no analfabetismo para escravizar e sacrificar o povo com austeridade,
fechando-lhe os olhos do conhecimento, para que não reaja e não se revolte
contra as injustiças. Vamos exigir que a escola abra as portas à noite, que
tenha vida e animação para que não se pareça com o espaço de silêncio e de paz
dos cemitérios.
Gostei muito de ler.
ResponderEliminarO assunto é demasiado sério para que ninguém o denuncie. O povo português e os docentes não são um conjunto de papalvos que aceitam tudo de forma acrítica. Parabéns pela iniciativa e pela coragem.
Isabel Barreto
Inteiramente de acordo António.
ResponderEliminarMiguel Carvalho